Mostrando postagens com marcador marcas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador marcas. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

"A propaganda ficou refém e acuada", diz dono da F/Nazca


Gravador na mão, daqueles antigos, que exigiam exercício extra na hora de apertar o "play" e o "rec", o garoto de dez anos preparava um programa para apresentar ao pai, médico, na hora do jantar. O peso da velharia rivalizava com o da lista telefônica, que servia de base para o menino bolar comerciais na fictícia rádio Tranquilidade, "sintonizada" numa casa no Rio de Janeiro.
Estes tinham até trilha sonora, gravada diretamente dos vinis de rock and roll que rodavam na vitrola do garoto tijucano.
Patricia Araújo/Folhapress
O publicitário Fabio Fernandes em sua agência, a F/Nazca, em São Paulo
O publicitário Fabio Fernandes em sua agência, a F/Nazca, em São Paulo
Três anos depois, o rapazinho não teve dúvidas quando se encantou com o personagem James Stephens, que trabalhava numa agência de propaganda no cultuado seriado americano "A Feiticeira". "Vou ser publicitário", pensava, enquanto reescrevia, numa antiga máquina Remington, anúncios retirados das páginas de revistas.
E foi mesmo. Em 1994, criou sua agência, a F/Nazca. A sede fica num casarão, na avenida República do Líbano, em São Paulo. No segundo andar do imóvel, com o parque Ibirapuera de quintal, Fabio Fernandes, 49, conversou com a Folha Top of Mind.
Qual a relação que o consumidor brasileiro mantém com as marcas?
Na maioria das categorias, a fidelidade é baixa. O consumidor tem preferência por uma marca, mas ainda toma decisão de compra na gôndola. Às vezes, vai decidido a comprar uma marca, mas ainda é suscetível ao preço. Existem as marcas, que a gente chama de "lovemarks", que são as do coração. E as que ele deixa dentro do seu radar de consideração.
A Skol é o cliente mais antigo da agência, há quase 15 anos. Como inovar?
É desafiador. Antes da Skol, as campanhas de cerveja eram com artistas, gente se divertindo num bar. Ela era uma marca menor, o desafiante da categoria, terceira ou quarta em volume quando nós começamos a trabalhar com ela. E a Skol tinha que romper esse quadro. Quando você não é o líder, o ideal é refazer, resignificar a categoria. Naquela época, os slogans eram: "a número 1", da Brahma, e "a melhor cerveja do Brasil", da Antarctica. Havia esses dois gigantes, e a Skol era a pequenina que estava vindo. Descobrimos que o consumidor estava achando essa briga entre as duas maiores cervejas muito particular.
Como chegou ao slogan: "a cerveja que desce redondo"?
Perguntávamos para o consumidor quais eram os itens mais relevantes na hora de escolher uma cerveja, desde o sabor forte, potente, até se ela patrocinava shows de rock. Eram cerca de 50. A pesquisa era voltada tanto para o tomador de cerveja em geral quanto para o preferidor de Skol. Para este, o primeiro era a suavidade da bebida. Para o tomador de cerveja, aparecia em 15º lugar. Só que em anos anteriores esse item era menos relevante. Ele foi crescendo. Mas a última coisa que deveríamos dizer é que a cerveja é suave. O consumidor diz isso para gente, mas não quer que devolva para ele. Uma coisa é falar que ela é suave. Outra é ter uma campanha dizendo "beba essa porque ela é levinha". Quando se falou que "desce redondo" fez todo sentido para o cara, mas não o expôs publicamente.
Sente saudade da "guerra das cervejas"?
Neste momento, não tem mais o que rivalizar. Aquele mercado de três ou quatro marcas não vai existir mais. Por isso era tão polarizante. Havia duas marcas que detinham 80% do investimento da categoria. A gente entrou bem na guerra porque de fato a Skol atravessou as duas, Brahma e Antarctica.
Como novas mídias e redes sociais estão influenciando a propaganda?
Já influenciam. É um mercado diferente. A gente não faz só propaganda de TV. Uma agência de comunicação trabalha em qualquer plataforma de comunicação. É uma pena elas terem sido negligenciadas no passado pela força de um meio apenas. Com esse novo equilíbrio, a propaganda se tornou mais excitante. A convergência das mídias para a tela é muito clara. Seja na TV, seja no celular, seja no computador. É um poder na mão do consumidor que ele não tinha antes. Com a rede de amigos, pode destruir a reputação de uma marca. Por outro lado, a indústria tem como monitorar o que se fala dela de forma mais orgânica. Ela consegue estancar um problema de forma mais rápida que no passado.
Existe um estilo próprio da propaganda brasileira?
Acho que sim. Depois da entrada das classes C e D no mercado, a propaganda teve que buscar uma linguagem includente para esse consumidor. Em muitos casos, ela tende a ficar mais popular, no sentido de ser mais compreensível. Outros entendem que falar com a massa sempre foi nossa função e que não podemos simplesmente sucumbir diante da primeira tentativa que não foi bem-sucedida. Diante da incapacidade de criar algum conteúdo relevante para esse consumidor, eles se justificam dessa maneira: "Ah, o consumidor tem nível intelectual, na média, muito baixo, então falo com ele no mesmo nível". Na verdade, isso só está escondendo uma incapacidade de fazer e traduzir coisas mais relevantes.
Há quem diga que a propaganda anda um pouco repetitiva, pasteurizada...
A propaganda no mundo inteiro tendeu para isso. Ficou refém e acuada. Os grupos de direitos mais esquisitos possíveis entram com processo. Vão dizer que se sentem humilhados com tal campanha. Tem muito politicamente correto. Às vezes, você nem percebe que está dando margem a uma interpretação diferente da que imaginou. Hoje, há uma tendência de agências e anunciantes se precaverem demasiadamente. O negócio da propaganda não é mais feito entre agências e anunciantes, voltado para o consumidor. Passa por etapas que não faziam parte antes. Começa a virar algo obsessivo. E o consumidor está mais atento, preocupado, tem acesso a meios que jamais teve.
Existe receita para a boa propaganda?
A melhor propaganda é aquela que se assume como propaganda, a que não tenta enganar o consumidor. Ela vai ser tanto melhor quanto o consumidor reconhecer a marca com aquela história que está sendo contada. Não adianta uma cena linda, engraçadíssima. O consumidor pode até lembrar da marca, mas não faz com que ele goste dela. Não muda o hábito de consumo.
Por que há tanta ira entre os publicitários?
Não sei. Odeio todos eles [risos]. É uma piada. Tem um perfil pessoal que, acho, é parte inerente desse negócio. E ela não é excludente das relações. Às vezes, por você conhecer a maneira de trafegar no nosso mundinho, cria uma aversão àquela pessoa que não admite mais como bom caráter, por ter usado, por exemplo, um artifício esteticamente.
Você é vice-presidente do Vasco. Criou uma campanha para atrair sócios-torcedores. Pensa em fazer o mesmo com um time de São Paulo?
Sou vascaíno, pô. Não existe isso de ter um time em Minas Gerais, na Índia ou na Austrália. Sou Vasco em qualquer lugar do mundo.
Fonte: Folha de São Paulo

domingo, 2 de maio de 2010

Furando a bolha das Marcas

Marcas precisam de conjunto de qualidades “energizadoras” para criar valor

Muitas empresas que atuam no mercado de consumo de massa, oferecendo produtos e serviços, enfrentam um sério dilema, que não tem relação com os efeitos da crise econômica mundial mais recente. Nos últimos cinco anos, as fórmulas comprovadas para impulsionar as vendas e aumentar a participação de mercado têm se tornado cada vez mais irrelevantes. Em todos os lugares, o valor agregado que as marcas proporcionam ao consumidor está caindo e esse declínio começou muito antes da derrubada das bolsas de valores.

Chegamos a essa conclusão após pesquisas exaustivas sobre as marcas. Percebemos, desde meados de 2004, tendências importantes, como a mudança de atitude do consumidor em relação aos tipos e aos segmentos de marcas. Em todos os setores – do de aviação ao automobilístico, passando pelos de bebidas, companhias de seguro, turismo e varejo – constatamos queda significativa nos principais indicadores de valor de marca, como percepção do tipo top of mind, confiança e admiração. Muitas marcas não estavam aumentando o valor intangível da empresa como costumavam fazer. Em vez disso, grande parte delas parece estar marcando passo no mercado.

No entanto, outra pesquisa que realizamos sobre o desempenho financeiro de empresas voltadas para o mercado de consumo revelou que as marcas estavam criando mais e mais valor para as companhias e seus acionistas. A evidência disso estava no preço crescente das ações, impulsionado pelo valor intangível que os mercados acionários estavam implicitamente atribuindo às marcas. Mesmo depois do colapso das bolsas de valores no final de 2008, nossos estudos demonstraram que o valor da marca ainda representa cerca de um terço do valor da empresa no mercado acionário.

Analisando todos os dados juntos, descobrimos que havia um aumento do valor que os mercados financeiros atribuem às marcas, mas esse crescimento as beneficia cada vez menos. Para gigantes como Google, Apple e Nike, o valor da marca continua aumentando fortemente, mas a quantidade de casos de alto desempenho, de marcas criadoras de valor como essas, tem diminuído em todos os setores. Ao mesmo tempo, o valor real criado pela vasta maioria das marcas está estagnado ou em franco declínio.

Esse descompasso entre o comportamento dos consumidores em relação às marcas e o valor de mercado das empresas é a receita do desastre em dois níveis. No plano macroeconômico, significa que o preço das ações da maioria das empresas voltadas para o mercado de consumo está sobrevalorizado: há uma “bolha de marca”. Uma vez que ela murche, ou pior, estoure, pode afetar o mercado acionário em todo o mundo. Para os líderes das organizações, esse descompasso indica um sério e contínuo problema de gestão da marca.

O que as empresas podem fazer para assegurar que suas marcas não estão entre as perdedoras? Nossa pesquisa revelou que as marcas mais bem-sucedidas atualmente – entre elas Adidas, iPhone, Pixar e Wikipedia– soam para os consumidores de uma forma especial: transmitem entusiasmo, dinamismo e criatividade de um modo que a grande maioria das marcas não consegue fazer. Chamamos essa qualidade de “diferenciação energizadora” e conseguimos identificar, entre muitos atributos de marca, os indicadores que medem essa qualidade.

As marcas despencam Para avaliar como as marcas afetam o desempenho financeiro, presente e futuro, das empresas, comparamos nossas bases de dados de marcas com 15 anos de dados financeiros, fornecidos pela Compustat da Standard & Poor e pelo Center for Research in Security Prices, da University of Chicago, que estuda um universo específico de 900 “monomarcas” multinacionais. Essas empresas apostam seu prestígio em uma marca única e poderosa, da qual provém 80% de seu faturamento. Entre elas estão Intel, McDonald’s e Microsoft.

Apesar de a valorização das marcas nas bolsas de valores ter sido crescente desde que iniciamos nossa coleta de dados, o índice de confiabilidade nas marcas caiu mais de 50%; o de percepção de qualidade, 24%; o de conhecimento das marcas, 20%; e o de estima e consideração, 12%. Vimos milhares de marcas respeitadas com notas tão baixas nesses quesitos que se poderia dizer que os consumidores as conheciam bem, mas não se sentiam inspirados para comprá-las. Era o caso de marcas famosas nos Estados Unidos como Century 21, Alpo e Prudential, ligadas respectivamente a corretagem imobiliária, ração para cachorros, e seguros e previdência privada.

A discrepância nos intrigava. Esperávamos encontrar uma correlação positiva entre valor de mercado e métricas tradicionais de desempenho e vendas. Em vez disso, encontramos uma correlação negativa. A pergunta a ser respondida, portanto, era: o que está causando tal deterioração? Por que os consumidores perderam confiança nas marcas e respeito por elas? O que os gestores deveriam fazer sobre a queda dos indicadores de desempenho e vendas, os mais significativos para o futuro das marcas? A questão é complexa; são diversos os fatores que sugam a percepção sobre as marcas entre os consumidores.

Acreditamos, no entanto, que o problema possa ser sintetizado em três causas fundamentais, que vêm reduzindo o desejo dos consumidores pelas marcas, e cada uma delas intensifica as demais. Embora nenhum desses fenômenos seja novo, nunca haviam aparecido de forma simultânea e com tanta intensidade:

Causa nº 1 – Quantidade excessiva. Há uma nova realidade com a qual as empresas deparam: o mundo foi inundado por marcas e está mais difícil para os consumidores avaliar as diferenças entre elas. Em 2006, o Patent and Trademark Office, instituto de propriedade industrial dos Estados Unidos, registrou 196,4 mil novos produtos, 100 mil acima do que fora registrado em 1990. Um supermercado médio hoje conta com 30 mil marcas diferentes, três vezes mais do que há 30 anos. A globalização e a concorrência crescente contribuem ainda mais para o grande número de marcas.
Causa nº 2 – Falta de criatividade. Em um mundo com Hulu, YouTube e Twitter, os consumidores estão constantemente expostos a conteúdos brilhantes e podem compartilhá-los. O resultado é o aumento do “coeficiente de criatividade” do consumidor, que espera sempre grandes ideias das marcas e que venham rapidamente.
Causa nº 3 – Perda de confiança. Hoje o grau de confiança que os consumidores depositam nas marcas é muito pequeno em comparação com 10 anos atrás. A fé da sociedade nas instituições, nas empresas e nos líderes foi seriamente afetada pelos escândalos políticos e corporativos. Para enfrentar esses problemas, não adianta voltar aos velhos métodos de marketing e esperar melhores resultados.
Anatomia da difereaciação
energizadoraEm nossos estudos, observamos que os consumidores concentram sua paixão, devoção e poder de compra em um conjunto de marcas cada vez menor. Constatamos, portanto, uma correlação entre essas marcas bem-sucedidas e um conjunto de indicadores inter-relacionados que se somam para oferecer ao consumidor uma experiência mais emocionante, dinâmica e criativa. Em outras palavras, uma experiência que reflete a energia da marca.
Três fatores contribuem para essa energia: A visão que a marca apresenta aos consumidores, geralmente proveniente da liderança, dos valores e do prestígio da empresa que está por trás dela; o grau de inventividade que os consumidores percebem na marca, por meio da inovação, do design e do conteúdo dos produtos ou serviços; e o dinamismo que o consumidor sente na marca, ou seja, como esta cria sua imagem, como gera emoção e lealdade e como evangeliza os consumidores por meio do marketing e outras formas de diálogo com as pessoas.
Entre as marcas bem posicionadas de acordo com nossos indicadores de energia estão Adidas, iPhone, Nike e Microsoft. Os dados revelam que a energia não é uma função da maturidade da marca: muitas das estabelecidas possuem tanta energia quanto as mais jovens. McDonald’s e Walmart, por exemplo, demonstram muita energia. Esse fator desempenha papel particularmente importante nos setores de atividade comoditizados, em que as marcas têm de lutar muito para desenvolver atributos como lealdade. Entre as linhas aéreas comerciais, as de maior energia são Southwest, JetBlue e Virgin Atlantic, que estabelecem relações mais leais que as tradicionais British Airways e Delta.

Ao analisar 48 diferentes atributos de marca, para isolar os indicadores que captam melhor a energia, encontramos explicações para a anomalia que havíamos descoberto e também uma forma de os gestores de marca serem bem-sucedidos no enfrentamento do atual ambiente em constante transformação. Agora sabemos, e podemos demonstrar, que a energia é o que mantém as marcas em constante movimento e que é fundamental para assegurar o apelo, a lealdade e o sucesso entre os consumidores.

Nosso “avaliador do ativo da marca” (BAV, na sigla em inglês) é um modelo empírico que desenvolvemos a partir de nossa base de dados com informações de pesquisas com consumidores. O BAV é composto por duas categorias de indicadores. A reputação da marca capta o que ela conseguiu até a época da pesquisa. Inclui parâmetros como estima (percepções de qualidade e lealdade) e conhecimento (conhecimento da marca e experiência com ela).
Isso reflete a posição atual no mercado e seu valor; é um indicador de resultado: tende a ser afetado depois que a marca muda. A força da marca mede o potencial de crescimento da marca. Inclui sua relevância (percepção dos consumidores sobre quanto a marca é adequada para eles) e sua diferenciação (percepção dos consumidores sobre o ignificado único da marca para eles). A força reflete o valor futuro e é um indicador de tendência, um sinal precoce e visível da mudança.
Uma vez identificados os atributos e a importância da energia da marca, descobrimos que esta possui estreita correlação com a diferenciação, e combinamos tudo em um indicador conjunto de diferenciação energizadora. O impacto dessa diferenciação energizadora sobre a relevância que se atribui a uma marca é extremamente importante. E vale lembrar que, se não tem relevância, a marca pode ser esquecida, mesmo se destacando por sua energia, porque não tem significado para os consumidores. A relevância é o caminho para um sentimento de consideração forte, para a tendência a experimentar, para a preferência. Em outras palavras, a relevância é o caminho para conquistar uma fatia dos gastos do consumidor.
O indicador da diferenciação energizadora estabelece um vínculo direto entre o ímpeto e a criatividade da marca, os ganhos financeiros e o desempenho no mercado acionário. Exemplos de marcas com grande diferenciação energizadora são Amazon, Axe, Facebook, Innocent, Ikea, Land Rover, LG, Lego, Tata Nano, Twitter, Whole Foods e Zappos. Dada a importância desse aspecto para determinar a força geral da marca, é útil analisar detalhadamente seus componentes.

A diferenciação não representa apenas o ponto em que a marca se distingue das demais, mas também cria margem e vantagem competitiva. A diferenciação se constrói a partir da forma como os consumidores percebem três atributos: a oferta (características especiais de produtos, serviços e outros conteúdos), a natureza única (essência, posicionamento e brand equity) e a distinção (a reputação que a marca ganhou por meio da publicidade e imagem criada até hoje).
Mas a energia está onde há ação. Reflete a percepção do consumidor sobre o movimento e a direção da marca. As com elevada energia criam uma sensação constante de interesse e entusiasmo, e as pessoas sentem que elas respondem melhor a suas necessidades. Encontramos um padrão definido nas marcas energizadas: quanto mais energia, maiores a consideração e a lealdade do consumidor, maiores o poder da empresa para fixar preços e o valor da marca. Os três grupos de atributos que compõem a energia são os seguintes:

1. Visão As marcas com visão possuem uma direção e um ponto de vista claros sobre o mundo. Elas mostram a que vieram. Algumas prometem mudar a forma de pensar das pessoas; outras buscam modificar as expectativas sobre a maneira de fazer as coisas. Essas marcas inspiram os consumidores para que se juntem a sua visão e, com isso, entram em novas categorias e criam outros significados. A reputação da empresa-mãe pode desempenhar papel significativo no direcionamento da visão da marca: como ela atua e se comporta em relação aos clientes, aos funcionários e ao mundo que está além das fronteiras de seu negócio? É um bom lugar para trabalhar? Está preocupada com os problemas sociais? Possui uma cultura única e forte? Numa sociedade transparente, os consumidores não separam a percepção sobre a marca dos valores e da conduta da empresa.
Entre as empresas que pontuam muito bem no quesito visão estão General Electric, Walmart e Toyota, líderes em seus setores quanto à economia de energia; Southwest Airlines, que diz “os funcionários são nossos primeiros clientes” e leva a sério isso; Ikea, considerada uma das empresas mais éticas do mundo em 2007, pela forma de tratar os funcionários e pelas ações em favor das questões ambientais e dos cuidados com as crianças; e Subway, que inventou uma categoria de estaurantes fast-food baseada em comida rápida e saudável.
2. Inventividade As marcas muito bem classificadas nesse atributo mudam a forma como as pessoas se sentem e se comportam. Como o elemento mais funcional da energia, a inventividade é desenvolvida com base em associações sensoriais e táteis, provenientes das experiências com o produto ou serviço, além de outras interações físicas com a marca. Pode ser traduzida por meio da inovação, da iconografia, do design da embalagem, da tecnologia utilizada, do ambiente do varejo e do serviço ao cliente. A inventividade da marca nunca pode ser estática. Requer compromisso com a inovação constante, excelência nos serviços e novas formas de experiência da marca.
Entre as empresas com forte inventividade estão os W Hotels, que oferecem a seus hóspedes conexão Wi-Fi no lobby; Diane von Furstenberg, com seus “kits de emergência para estar na moda”; Bliss Spa, com sua linha completa de produtos de beleza; Zappos, que se destaca no serviço ao cliente; Nike e Apple, que se juntaram para criar o Nike+, tecnologia que permite transferir dados sobre exercícios físicos do tênis para um iPod Nano; e Kidfresh, que lançou comidas rápidas nutritivas para as crianças com apresentação e embalagem divertidas.

3. Dinamismo As marcas dinâmicas despertam entusiasmo no mercado pela forma como se apresentam aos consumidores. Dos três componentes da energia, o dinamismo é o mais emocional e visível. Reflete a capacidade da marca de motivar a afinidade do consumidor. Tradicionalmente, é o resultado de uma grande campanha publicitária, de um evento de marketing de guerrilha ou muito visível no mercado; produz uma imagem, percepção de comunidade e evangelização dos clientes, além de gerar boca a boca.
Exemplos de marcas dinâmicas: Harley-Davidson, com seus eventos para motoqueiros; Twitter, que converteu as mensagens de texto em rede social; e Design Barcode, de Tóquio, que patenteou sua ideia de transformar os códigos de barra dos produtos em formas de comunicação visual.
Indicadores em funcionamento Se representarmos graficamente os indicadores de força e reputação de uma marca, teremos um panorama preciso e integral de seu desempenho futuro. Quando uma marca gera muita energia, torna-se irresistível, qualidade que leva a maior preferência e uso, o que, por sua vez, faz com que atraia novos usuários. Construa uma empresa impulsionada pela energia Agora sabemos que as marcas que prosperam se diferenciam das demais por sua energia. Por meio de nosso modelo de cinco passos, sua empresa também pode desenvolver uma marca irresistível.

1. Realize uma “auditoria de energia” na marca. O objetivo é identificar as fontes de energia atuais, assim como o nível de energia, para que possa entender as forças e as fraquezas da marca, e detectar o grau de alinhamento da gestão da marca com as dinâmicas do novo mercado.
2. Faça da marca o princípio organizador de seu negócio. Encontre um conceito essencial sobre a marca que todos aceitem. A esse processo chamamos “construção do núcleo energético”, e ele deveria ser o filtro a partir do qual são definidos os produtos, os serviços e a comunicação. Um núcleo forte permite segmentar os clientes de acordo com seu comportamento e os valores e reorganizar produtos e serviços levando em consideração o conhecimento e as necessidades emocionais mais profundas do cliente.
3. Crie uma cadeia de valor de alta energia. Os objetivos organizacionais em relação à marca devem se tornar algo real para todos; cada participante precisa entender como suas ações alimentam o nível de energia da marca e seu núcleo. Esse processo começa na cúpula da organização e se estende a todos os níveis.
4. Torne-se uma organização impulsionada pela energia. Os gestores devem se concentrar, em seguida, em formalizar essa forma de trabalhar por toda a empresa. Os grupos de interesse devem transferir seus esforços e sua paixão para as unidades funcionais e de negócios.
5. Crie um ciclo virtuoso de reinvenção constante. A etapa final consiste em garantir que a organização e sua marca estejam em estado de renovação constante. Atentas às mudanças nas percepções e valores dos consumidores, as empresas podem contribuir para a sobrevivência de suas marcas e até para que elas se tornem irresistíveis.
Fonte: HSM Management, do Mundo do Marketing 30/04/2010

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Classes A e B são mais ligadas às marcas

40% dos consumidores das classes A e B são mais preocupados com marcas reconhecidas

A qualidade dos produtos supera o desejo por consumo de marcas renomadas, segundo pesquisa da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) que envolveu 800 entrevistados. Deles, metade não se preocupa com marcas conhecidas. A maioria dos entrevistados (82,8%), no entanto, concorda que os produtos com melhor qualidade têm preços mais elevados.

Na análise por classes, o resultado apontou que 40% dos consumidores A e B são os mais atentos às marcas. Em contrapartida, os das classes D e E são os mais desinteressados no assunto (66,3%). Segundo Sandra Turchi, superintendente de marketing da ACSP, a taxa de consumo mais elevada nas classes A e B apresenta uma forte ligação com o status que as grandes marcas conferem a quem as consome.

A grande diferença é a forma como as classes analisam o produto no ato da compra. Os consumidores mais pobres prezam muito a escolha acertada, pois não dispõem de tanto capital. "Eles consomem produtos de qualidade, sim, desde que sejam beneficiados pelo crédito, mas não necessariamente a escolha vai estar ligada à marca. Ele se permite pagar mais caro, mas não quer arriscar", explica.

A pesquisa mostra também que 76,3% dos consumidores preferem qualidade a preço, sendo os das classes A e B os que mais concordaram com a assertiva: "Prefiro um produto de qualidade a um de bom preço", (81,1%). São os consumidores com este perfil os que mais realizaram compras na internet (39,1%) e os que mais compraram produtos com divulgação através de propaganda por e-mail (32,1%).

Entre as classes D e E apenas 7,1% fizeram compras pela internet e 3,1% através de e-mail marketing. O destaque, porém, é que os consumidores destes segmentos são os que mais fizeram compras pela web nos últimos 30 dias (28,6%), reflexo do movimento vivido pela economia nacional e do acesso de novos públicos a opções antes restritas a uma minoria.
Fonte: m&m

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Top of Mind 2009 - marcas vencedoras e as respectivas agências homenageadas

Revelados na noite desta quarta-feira, 28, em evento no HSBC Brasil, em São Paulo, os resultados da pesquisa realizada pelo Datafolha para o jornal Folha de S.Paulo, trazem apenas algumas novidades em suas 40 categorias de produtos e serviços.
Com a presença de muitos empresários e executivos de anunciantes e agências, o evento de entrega dos prêmios foi conduzido pela apresentadora Fernanda Lima e o ator Dan Stulbach, com show de encerramento de Arnaldo Antunes.
Para esta 19ª edição do Top of Mind, o Datafolha entrevistou 5.667 pessoas maiores de 16 anos entre os dias 18 e 20 de agosto em 161 municípios brasileiros de todos os estados. Elas respondem, primeiramente, à pergunta "Qual a primeira marca que lhe vem à cabeça?". Em seguida, são perguntadas sobre as marcas que lembram em 40 categorias de produtos e serviços. Para chegar aos vencedores do Top of Mind usa como critério de desempate o chamado awareness, que considera as outras marcas lembradas pelos entrevistados, além da primeira que citam ("De quais outras marcas você se lembra?").

Top do Top (Grand Prix):

Coca-Cola (DPZ, Fischer+Fala, JWT, McCann Erickson e Ogilvy),
Omo (Neogama/BBH)
Nike (F/Nazca S&S)

Top Performance: Skol (F/Nazca S&S)
Top Popular: Kibon (BorghiErh/Lowe e DM9DDB)
Top Consumidor A: Brastemp (DM9DDB)
Top Feminino: Seda (JWT)
Top Masculino: Pirelli (Leo Burnett)
Top Família: Arno (Publicis)
Top Meio Ambiente: Ypê (P&M)
Top Região Sudeste: Casas Bahia (Y&R)
Top Região Sul: Doriana (BorghiErh/Lowe)
Top Região Nordeste: Primor (Arcos)
Top Região Centro-Oeste: Mabel (Jordão Publicidade e MPM)

Categorias de Produtos e Serviços

Adoçante: Zero-Cal (house)
Aparelho Celular: Nokia (JWT)
Aparelho de TV: Philips (Africa)
Aspirador de Pó: Arno (Publicis)
Azeite de Oliva: Gallo (PeraltaStrowberryFrog)
Banco: Banco do Brasil (Artplan e Master)
Biscoito: Nestlé (Publicis)
Caderneta de Poupança: Caixa Econômica Federal (NovaS/B)
Caminhão: Mercedes-Benz (MatosGrey)
Carro: Volkswagen (AlmapBBDO)
Cartão de Crédito: Visa (Lew’Lara\TBWA)
Cerveja: Skol (F/Nazca S&S)
Companhia Aérea: TAM (Y&R)
Chocolate: Nestlé (JWT)
Combustível: Petrobras (Quê)
Computador e Acessórios: LG (Y&R) e Samsung (Cheil Communciations e Leo Burnett)Desodorante: Rexona (BorghiErh/Lowe)
Fogão: Dako (Energy)Geladeira: Cônsul (DM9DDB)Leite: Parmalat (Africa)
Liquidificador: Arno (Publicis)
Loja de Móveis e Eletrodomésticos: Casas Bahia (Y&R)
Loja de Roupas: C&A (DM9DDB)
Maionese: Hellmann's (Ogilvy)
Máquina de Lavar Roupas: Brastemp (DM9DDB)
Margarina: Qually (DPZ)
Moto: Honda (DM9DDB)
Operadora de Celular: Vivo (Africa, DPZ, Fischer+Fala e Y&R)
Pasta de Dente: Colgate (Y&R)
Plano de Saúde: Unimed (Café Comunicação e Dog Faro+Planejamento)
Pneu: Pirelli (Leo Burnett)
Ração Animal: Pedigree (Lew’Lara\TBWA)
Refrigerante: Coca-Cola (DPZ, Fischer+Fala, JWT, McCann Erickson e Ogilvy)
Sabão em Pó: Omo (Neogama/BBH)
Sabonete: Lux (JWT)
Seguro: Bradesco Seguros e Previdência (Neogama/BBH) e Porto Seguro (Caso Design Comunicação)
Sorvete: Kibon (BorghiErh/Lowe e DM9DDB)
Supermercado: Carrefour (F/Nazca S&S) e Extra (PA Publicidade)
Tinta de Parede: Suvinil (NBS)
Xampu: Seda (JWT)

*em alguns casos não aparecem todas as agências que trabalham com as marcas pois o prêmio só destaca aquelas que atendem a área vencedora.

Fonte: m&m online

domingo, 8 de março de 2009

Empresas veem classe C como saída da crise

Com maior capacidade de recuperação em cenário econômico adverso, grupo de renda menor é alvo de onda de lançamentos
Investimentos levam em conta consumo crescente dessa faixa de renda e até migração de compras das classes A e B com a crise

Apontada por especialistas como a fatia do mercado mais resistente aos efeitos da crise, a classe C tem sido alvo de uma nova onda de produtos e marcas específicas lançados para atender a esse segmento.
Muitos investimentos foram planejados antes da crise, mas as empresas decidiram ir em frente porque apostam na capacidade de consumo desse grupo e na migração do consumo das classes A e B para itens mais populares.
Pesquisa inédita, feita pela agência McCann Erickson, que investiga as tendências do consumo na classe C, mostra que esses consumidores não estão mais em busca do acesso a bens, mas, sim, da melhoria de qualidade. "Essas pessoas já têm eletrodomésticos, além de uma despensa e uma geladeira sortidas e, agora, evoluíram. Não basta dizer, agora, "você pode ter determinada coisa", mas sim "você pode ter a melhor'", diz Aloísio Pinto, vice-presidente de Planejamento da McCann Erickson.
Um exemplo está na alimentação. Para 38% das mil famílias entrevistadas em São Paulo, Recife, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Goiânia, o valor nutricional é o item mais importante em um produto. Para 82% dos entrevistados, nutritiva é a comida preparada em casa, onde 76% fazem sua principal refeição, o jantar.A pesquisa, que será divulgada nesta semana, mostra ainda que a posse de eletroeletrônicos é associada por 82% dos entrevistados a lazer para toda a família. "Isso compensa a falta de opções nos bairros", diz.
De acordo com Haroldo Torres, diretor do instituto Data Popular, a classe C tem maior capacidade de recuperação em um cenário de crise. "É um consumidor com perfil mais flexível de inserção no mercado de trabalho. É o policial que dirige táxi ou é vigilante à noite, é a dona-de-casa que vende comida, pessoas que se viram na crise", disse. Ele ressalta que a classe A foi duplamente afetada pela crise global, tanto com a perda de vagas em cargos executivos como com as perdas na Bolsa de Valores e em fundos de investimento.
Isso explica a nova onda de lançamentos voltados para a classe C, apesar da crise. "Quem vende para as classes A e B têm um mercado de 20 milhões de pessoas. Mesmo que também sofra com a crise, a classe C é um grupo quatro vezes maior. Saber vender para eles é questão de sobrevivência", diz o consultor de varejo Roberto Meir.Curioso é que nenhuma empresa tradicionalmente focada nos segmentos A e B quer atender a classe C pela sua marca principal. "Não podemos correr o risco de mandar a mensagem errada para nosso público A e B", afirma Ronaldo Marcolin, diretor comercial da Única, fabricante dos armários Dell Ano, que acaba de lançar a linha New, mais barata.
CuringaNa incerteza econômica, ter produtos de qualidade para a classe C pode ser um curinga para as empresas. "Se a economia piorar, o consumidor da classe B vai comprar esse produto. Quando melhorar, a classe D ascende", diz o consultor de varejo Marcos Quintarelli.
Conquistar o público C para quem sempre vendeu para a classe AB não é simples. "É preciso falar a língua desse público, oferecer bom atendimento e investir em qualidade e design, para que o público valorize o produto. Se a comunicação se mantiver sofisticada, o produto vai ser rejeitado. Se não investir na qualidade, o público não vai desejar o produto", diz Quintarelli.
Fonte: Folha de São Paulo

Companhias investem em marcas específicas

Empresas acostumadas a lidar com o modelo de negócios das classes A e B estão criando marcas ou franquias específicas para atender ao gosto da classe C. Para Sérgio Nardi, autor do livro "A Nova Era do Consumo de Baixa Renda", a tendência é que as empresas mantenham um produto voltado para a classe A e uma marca espelho para o novo público.
O grupo CRM, controlador da Kopenhagen, lançou em janeiro a marca Brasil Cacau, com 11 lojas próprias em São Paulo e investimento de R$ 5 milhões. Até o fim do ano, a meta é chegar a 50 lojas, a maior parte em shoppings populares. Segundo Renata Vichi, vice-presidente do grupo CRM, o Brasil é o quarto maior consumidor de chocolate no mundo."Seguimos com o projeto porque o mercado de alimentos é menos sensível aos efeitos da crise", disse Vichi.
A quantidade crescente de projetos feitos e jogados no lixo soou um sinal de alerta para a fabricante de móveis planejados Única. Desde que nasceu, há 23 anos, a empresa gaúcha mirou as classes A e B, com as marcas Dell Ano e Favorita. "Havia um novo público nas lojas, que sonhava com aqueles móveis, mas, no fim, o sonho não cabia no salário", conta o diretor comercial da empresa, Ronaldo Marcolin.
No fim do ano, a Única lançou uma marca destinada a esse novo público, a New. Os móveis são 30% mais baratos em relação à Dell Ano. "Em cinco anos, a New representará metade do nosso faturamento."Após 50 anos fabricando metais sanitários de alto e médio luxo, a Fabrimar lançou em janeiro a linha Gyro, com produtos até 75% mais baratos em relação aos itens top. O projeto nasceu em agosto. "Prevíamos um cenário ruim para 2009 e não queríamos ficar restritos a um público. E, se a classe B perder renda, comprará a Gyro", diz José Fernando Haddad, diretor comercial da Fabrimar.
Vender para a classe C exige das empresas equacionar qualidade e preço. A saída tem sido fazer sutis mudanças técnicas. A madeira usada pela New é ligeiramente mais fina em relação à da Dell Ano. As torneiras da Gyro têm menos latão.
Porta a portaOutra estratégia para chegar ao consumidor da classe C é a venda porta-a-porta. A Coca-Cola Guararapes vai levar ao interior de Pernambuco um projeto-piloto de venda de refrigerante com embalagens retornáveis, em Caruaru, Garanhuns e Petrolina. Com base nos resultados, a empresa pretende estender o projeto para todo o Estado, além da Paraíba e do norte da Bahia.
Segundo Catharina Ferreira, gerente de marketing da empresa, a meta é atrair a atenção da dona-de-casa, responsável pelas compras da família.A Nestlé também adota o modelo e conta com 5.800 vendedoras em mais de 40 cidades no Estado de São Paulo e capitais como Rio de Janeiro, Porto Alegre, Vitória, Curitiba, Belo Horizonte e Belém. Até o fim do ano, o total de vendedoras chegará a 9.000. Segundo a empresa, 82% do consumo no país está concentrado nas classes C, D e E. (DM, JL, SL)
Fonte: Folha de São Paulo